quarta-feira, 29 de junho de 2011

Vida de músico (4) - Caindo na real!

-“Pronto! Agora Pedrinho do Violino está formado em música! Foram quatro anos de trabalho duro em cima do instrumento, horas de prática, dezenas de peças executadas, leitura afiada, apresentações no teatro da faculdade...”


Mas um pensamento desde já o acompanha em todos os momentos; e agora?
Ele é um profissional, profissionais tem por regra encontrar seu nicho mercado de trabalho, se colocar de forma promissora, prosperar, vencer! Deixar de viver às custas dos pais! Pelo menos é assim que a vida se apresenta desde cedo. Mas sua ferramenta de trabalho é um belo e pequeno instrumento de cordas e arco. Geralmente atua acompanhado por diversos outros em uma orquestra. Como as orquestras trabalham? Quanto se ganha? Não é muito comum ver alguém tocando violino no Domingão do Faustão, na MTV, em mega-shows na Apoteose. Nem mesmo nas gravações das paradas de sucesso costumamos ouvir aquele belo timbre agudo aveludado! Mas então, pra onde correr?
Integrar o naipe de cordas de uma orquestra sinfônica pode ser uma possibilidade mais que interessante. O ex-maestro da Osesp John Neschling costumava declarar, para espanto de todos; ‘tocar na orquestra é tão difícil quanto ser presidente da República’. Tal declaração encontra fundamento quando se observa alguns dados. Entre 2008 e 2010, duas vagas do naipe de cordas da Osesp estiveram ociosas. O salário oferecido era de R$ 10.300,00 com direito a décimo terceiro, plano de saúde e seis semanas de férias. Simplesmente nenhum candidato fora aprovado até então. Até mesmo para estrangeiros a cobrança é altíssima. O americano Matthew Thorpe, integrante da casa desde 1998 confessa que precisou de seis tentativas até ser promovido a assistente do chefe dos segundos-violinos.
Segundo ele, vinte dos trinta violinistas da Osesp são estrangeiros, o que deixa claro a falta de profissionais brasileiros qualificados para o posto.
Voltando ao caso do nosso amigo Pedrinho do Violino, será que ele terá mais tempo e dedicação para cumprir exigências tão severas? Poderá ele apostar em sua cota de talento para focar esse objetivo em sua vida?
No caso da Osesp, o processo de seleção por si só já é intimidador. Na primeira fase, além do currículo, o candidato deve enviar um CD ou DVD com o registro de alguma peça executada por ele. Se for aprovado, terá que enfrentar duas audições com o maestro e chefes de naipe. Ainda assim, se o músico não convencer plenamente, ele poderá passar por um período de experiência de três meses. Como se não bastasse, os selecionados passam por um ano ‘probatório’ durante o qual poderão ser demitidos se houver algum deslize. Tudo isso já seria o bastante para um possível candidato já ter em mente a possibilidade de falha na empreitada.
Ainda há outro ponto bem menos ‘formal’ a ser considerado que poderia ajudar ou atrapalhar de vez nosso candidato; o gênio do ente superior da instituição. Existem histórias relacionadas ao citado ex-maestro que dão conta de seu comportamento polêmico. Quando se desentendia com algum músico, substituía-o por outro que mais se alinhasse com sua visão.
Realmente são muitos aspectos a levar em consideração na hora de optar por esta carreira. Os atrativos são incontestes, principalmente a estabilidade, algo difícil de se conquistar no meio musical. Mas a possibilidade de nosso amigo Pedrinho do Violino começar a pensar em outros planos é bastante aceitável.

Vida de músico (3)

Atualmente, faz-se necessário a criação de uma disciplina curricular focada nas possibilidades que o músico moderno encontra à sua disposição, no sentido de agregar funções relacionadas à sua profissão, possibilitando assim, uma maior autonomia e capacitação para lidar com situações comuns em seu meio de trabalho, funções que normalmente são delegadas a profissionais (ou não) de fora do meio prático-musical. As conhecidas práticas de conjunto teriam estendidas suas abordagens, levando o estudante a conhecer um pouco mais do ‘outro lado’, os mecanismos e situações que se escondem nos bastidores do meio artístico, (musical e/ou teatral), fatores que interferem diretamente no trabalho em cena.
As universidades de música apresentam naturalmente o ambiente propício para este fim, fazendo uso de seus estúdios de gravação e/ou ensaio e salas de concerto onde haja equipamentos à disposição como mesas de som, amplificadores, microfones, caixas acústicas etc. Eventos como workshops e visitas didáticas a concertos, shows e estúdios profissionais seriam recomendadas.
O objetivo destes posts é elencar, através da vivência de um personagem fictício, as diversas situações que um músico encontra ao se inserir no mercado de trabalho. Apresentaremos ao longo dos textos, algumas situações problemáticas seguidas de soluções práticas que poderiam ter sido exploradas ainda no ambiente acadêmico, possibilitando ao músico, maior desenvoltura ao se deparar com estas situações que interferem diretamente no seu trabalho.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Vida de músico (2)

Em relação às novas tecnologias, caberia uma disciplina prática em torno dos equipamentos modernos à disposição para gravações, edições, mixagens e shows. Esta matéria abordaria principalmente o mundo dos estúdios virtuais, recurso atualmente usado por milhares de músicos em ambiente doméstico, porém de maneira autodidata. É fato que hoje em todo lugar existe algum músico sentado à frente de seu computador criando sua música, o que tem de certa forma, desvalorizado a função de produtor musical. Uma universidade que inclua em seu programa um curso dedicado a elevar os critérios de produção musical a um nível mais próximo dos parâmetros considerados profissionais certamente representará um grande diferencial de ensino de música.

Vida de músico!!

O estudante de música, principalmente o instrumentista, geralmente sai da faculdade com todo o preparo teórico e prático para a execução do seu instrumento. Entretanto, ao se deparar com o mercado musical atual, o músico percebe que existe uma gama de serviços dos quais ele depende e terá que arcar, como estúdios de ensaio, de gravação, operadores de som, roadies, afinador, iluminador etc. A necessidade da criação de uma disciplina curricular voltada a essas questões é vital, para trazer noções de como funciona a estrutura de um evento musical, abordando tópicos como a elaboração de um ‘rider’ de som (mapeamento dos equipamentos necessários à apresentação), ‘rider’ de luz, posicionamento de microfones no palco, passagem de som, mixagem e até mesmo aspectos burocráticos envolvidos na produção de um evento (contratos, ECAD, etc). É notório que o mercado musical de hoje não deixa muitas perspectivas de estabilidade profissional aos músicos práticos, daí a necessidade urgente de uma maior autonomia por parte dos mesmos numa clara intenção de agregar mão de obra qualificada. É muito comum hoje vermos técnicos de som, de luz, com suas empresas estabelecidas e em franca expansão enquanto músicos qualificados (ou não) continuam dependendo da boa vontade de contratantes ou do ‘couvert’ de uma casa noturna que sempre divide o prejuízo com os músicos. Infelizmente muito poucos conseguirão se inserir no grande mercado musical, atuando com grandes artistas e com cachês decentes. Ainda assim, tal situação por mais honrosa que seja geralmente é por temporada. A opção de carreira acadêmica é atraente, porém nem todos podem ou querem dedicar tantos anos de estudo aprofundado nos aspectos teóricos da música, sendo invariavelmente afastado de sua prática, acarretando uma boa dose de frustração pessoal.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Confira a programação do Festival de Inverno de Teresópolis - 2011!

Criado em 2002 o Festival de Inverno Sesc Rio, que acontece nas cidades de Petrópolis,Teresópolis e Nova Friburgo, tem por objetivo difundir a criação e produção artística, incentivando a circulação de espetáculos pelo estado do Rio de Janeiro. Presente, também,nas questões sociais do nosso tempo, pela primeira vez, o Festival de Inverno Sesc Rio terá suas emissões de carbono neutralizadas. A quantidade de carbono produzido, depois de calculado, vai reverter em um número similar de mudas plantadas para sua neutralização.
Por três semanas, o Festival vai oferecer uma programação diversificada: teatro, dança, música, artes visuais, cinema , vídeo e literatura vão estar presentes. Palestras com a parceria com a Casa do Saber, além de uma extensa programação infantil , também, serão oferecidas.
Arte, formação de público, intercâmbio de idéias, entretenimento - estes são os eixos de trabalho do Sesc Rio. Esta é a dimensão deste festival cujo cardápio de atrações será oferecido com entrada franca para os comerciários, e preços acessíveis para todos. Toda a programação infantil, além das oficinas, palestras, vídeo, , exposições e encontros literários também terão entrada franca.