quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vida de músico (7) - Abrindo novas frentes...

‘A rotina de shows semanais tem sido gratificante. Pedrinho do Violino progrediu bastante em vários aspectos. Ganhou desenvoltura e segurança nos palcos, aprimorou sua técnica aliada a maior capacidade de improviso, está muito familiarizado com a parafernália em volta dele. Sem contar que nos últimos meses adquiriu alguma autonomia financeira com a entrada de dinheiro dos cachês. Mas Pedrinho tem notado que sua rotina tem possibilitado muitas horas ociosas durante a semana, principalmente entre segunda feira e quinta feira. Os ensaios acontecem apenas dois dias por semana e duram três horas. Ele pode separar um período diário para praticar seu instrumento e ainda assim sobra bastante tempo. Porque não procurar meios de preenchê-lo com mais atividades paralelas?’

Durante um ensaio com sua banda, Pedrinho ouviu uma conversa paralela entre seus companheiros na qual um deles comentou que passaria quatro dias em função de uma gravação de um artista que lançaria seu CD em breve. Seriam sessões de gravação em grande estúdio da cidade, pagariam o músico por hora trabalhada. Inevitavelmente, Pedrinho começou a imaginar a possibilidade de se inserir no meio. Na primeira oportunidade, abordou seu companheiro a respeito do assunto, se disse interessado em entrar no mercado de músicos de estúdio e colheu informações importantes com o colega. Uma das instruções que recebeu através do amigo foi procurar um determinado músico que estava produzindo uma cantora gospel, cujo trabalho necessitava da participação de um violinista em algumas músicas. Pedrinho chegou na hora e lugar certos; foi convidado imediatamente a participar. Recebeu gravações prévias das músicas que iria participar e as partituras para estudar com antecedência. Teria uma semana para praticar as partes de violino ‘em cima’ da gravação, que foi entregue só com as bases e uma voz guia.
Dias depois, nosso amigo adentrou o estúdio para começar os trabalhos. O técnico se dirige a Pedrinho e pergunta qual microfone ele prefere entre três opções: Shure SM81; Neumann U87 ou AKG C414. E agora?
Microfonar um instrumento é uma ciência que requer cuidados especiais. No caso de um violinista, deve-se levar em conta o posicionamento, ou seja, o músico precisará executar as músicas com muito pouco ou nenhum movimento corporal para não sair do campo de atuação do microfone e não alterar o timbre captado com fidelidade com muito custo. Deverá ter cuidado com ruídos extras, inclusive a sua respiração. O posicionamento exato do microfone por si só já é uma tarefa delicada, pois existem diversas possibilidades que devem ser testadas. O microfone pode ser posicionado a 60, 40 ou 30 cm. acima do instrumento, pode ser apontado para o corpo do violino ou para os ‘efes’¹, etc.
Microfones são transdutores eletroacústicos que transformam energia acústica em energia elétrica através do deslocamento de membranas, fitas, diafragmas ou outros componentes que captem vibrações sonoras. São classificados em diversas categorias, cada uma com sua aplicação específica:
-Dinâmicos – utilizam o eletromagnetismo. Possuem diafragma, bobina móvel e imã.
-De fita – uma fita muito fina vibra sob um campo magnético, gerando uma pequena tensão em suas extremidades. Necessita de um pré-amplificador.
-Eletromagnéticos de imã móvel – possuem bobina fixa.
-Diferenciais (canceladores de ruído) – possuem duas cápsulas montadas em oposição, com polaridades invertidas, ocasionando cancelamento de fase.
-Condensadores – utilizam o princípio eletrostático. Necessita alguma alimentação como pilha, bateria, fonte externa ou sistema ‘phantom power’.²
Cada modelo de microfone abrange uma gama de freqüências específicas. Quando um microfone cobre toda a faixa de freqüências (de 20Hz a 20 KHz), consideramos este um microfone de resposta ‘plana’ (flat).
Obviamente, Pedrinho não sabia de todos esses detalhes técnicos, mas percebeu o quanto isso poderia afetar o resultado final de seu trabalho. A gravação de uma obra em CD apresenta um caráter especial, diferentemente da performance ao vivo; seu registro será um legado para a posteridade, será conferida por ouvintes distintos em lugares e épocas diferente. Esses fatores já compõem argumento mais que suficiente para encarar a tarefa com todo o cuidado e responsabilidade possível. Uma vez registrado o violino de Pedrinho naquela gravação, após mixado e masterizado o CD, estará ali impresso definitivamente uma amostra de sua personalidade musical no que diz respeito a sua técnica, interpretação e o timbre do seu instrumento.
Por força da situação, Pedrinho achou prudente delegar a escolha do equipamento ao próprio técnico, confiando em sua experiência na captação de instrumentos de toda espécie.
Já a postos para começar a gravar, levaria ainda alguns minutos até que músico e técnico encontrassem a configuração perfeita para a tarefa; posição do microfone, distância da fonte sonora, equalização, compressão etc. Em seguida viria a grande prova de fogo para Pedrinho: ao sinal de ‘ok’ do técnico do outro lado do vidro do ‘aquário’, é liberado em seu fone de ouvido, o áudio da música a ser gravada, um ‘play-back’³ no qual Pedrinho se guiará para registrar sua trilha de violino. Neste momento ele percebe como é intimidador para um iniciante, executar uma obra nesta situação, em estúdio profissional sob olhares do produtor de outros músicos, tendo que tocar com precisão próxima da perfeição, com limitações de movimentos corporais, nervosismo, tempo passando...
O fato é que esta foi uma grande oportunidade para Pedrinho experimentar esta outra faceta da vida de um músico profissional. Com a prática, a fluência se torna mais natural e o rendimento nas sessões de gravação é muito mais positivo, sem contar o conhecimento técnico adquirido nesse meio em relação à microfonação, ambiência, equalização e processamento de efeitos como reverb e compressores.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Mão na massa....(cont.)

O violino é um instrumento que apresenta uma vasta gama de freqüências. Sua nota fundamental mais grave (Sol 2) apresenta uma freqüência de 196 Hz e nas altas pode chegar até a 3000 Hz (Fá#6).
Uma corda tocada fortemente por uma arco pode produzir vinte ou mais harmônicos. A utilização do arco como ferramenta timbrística é fundamental na arte tocar o violino. A força, velocidade e ponto de atrito interferem na qualidade sonora. O instrumento de Pedrinho está equipado com um captador, que nada mais é do que um transdutor sensível à vibração do instrumento, diferente dos microfones, que captam as vibrações de ondas conduzidas pelo ar.
No caso de Pedrinho, seu captador é do tipo piezo-elétrico. Este equipamento utiliza-se de cristais (quartzo, titanato de bário ou titanato de chumbo) que submetidos à tração, vibração ou compressão, gera uma diferença de tensão elétrica entre suas extremidades. A esse fenômeno dá-se o nome de efeito piezo-elétrico. Estes captadores se dividem em ativos e passivos. As características dos captadores se assemelham às dos microfones, no que se refere a respostas em freqüências, ruídos e tipos de alimentação.
O fato é que o músico no ambiente de ensaio, show ou gravação, geralmente terá uma preocupação básica; fazer com que seu instrumento soe amplificado o mais próximo possível de seu timbre ‘natural’. No caso peculiar de um violino, devemos ter em mente que será uma tarefa não muito simples. Tocando em grupo, envolvido por intensa massa sonora, o músico pode, por força da circunstância, afetar até mesmo sua maneira de interpretar, alterando seu ataque às cordas, por exemplo, na ânsia de se ouvir melhor. Por isso torna-se vital o conhecimento técnico das características timbrísticas de seu instrumento, pois a solução para essa situação pode estar no simples ajuste de determinadas freqüências do espectro de atuação do violino. Outro detalhe que sempre deverá ser levado em conta é o ambiente em questão. O tratamento sonoro de um estúdio é muito diferente de salão de um clube por exemplo. Certos procedimentos aplicados ao estúdio terão que ser reavaliados em caso de show ao vivo.
Pedrinho do violino tem a vantagem de trabalhar com captador ao invés de microfone; além de ser mais simples o ajuste de som, possibilita maior mobilidade ao músico no palco. Quanto ao timbre do violino no estúdio de ensaio, com o tempo músico e técnico foram chegando a um resultado satisfatório na equalização. Uma vez encontrados os parâmetros de freqüências, nos ensaios subseqüentes bastarão pequenos ajustes para chegar ao resultado adequado.
Algumas semanas depois, dia de show! Pedrinho já está com o repertório em dia, set-list³ impresso para colocar à sua frente no palco, em posição discreta só para se guiar nas seqüências das músicas, roteiro do show combinado, tudo em ordem, apesar do nervosismo. Chaga ao local do evento ainda durante a tarde para passagem de som, o show será à noite. Na passagem de som, a primeira impressão é incômoda, pois todo o trabalho de ajustes realizados em estúdio aparentemente teriam que ser refeitos, em questão de minutos e com todo o tumulto que envolve a produção de um evento dessa ordem, com montagem de equipamento, decoração, buffet, tudo ao mesmo tempo em um imenso salão de um clube. Além disso, o músico terá que se localizar no palco, interagir de forma prática e direta com o operador de som para encontrar o melhor som do instrumento, se posicionar em frente ao seu monitor, que será a sua fonte sonora confiável durante a apresentação. Em seguida, a banda inteira fará um breve ensaio para ajustes finais, se recolherá aos bastidores e começarão a se preparar para entrar em cena mais tarde. Hora de conferir figurinos, afinações dos instrumentos, alimentação etc.
Hora do show! Difícil conter o nervosismo, misturado à ansiedade. Aos primeiros acordes da banda, luzes explodindo por todos os lados, platéia cheia, animadíssima, Pedrinho experimenta as sensações inéditas de participar de um show bem produzido; o nervosismo inicial começa a dar espaço ao prazer de perceber toda a estrutura funcionando a contento. Alguns momentos tensos são normais como um pedido aflito de retorno por parte de algum membro da banda, uma sobra de freqüência grave rapidamente detectada e eliminada pelo técnico, algum erro quase imperceptível em algumas músicas etc. O saldo final é bastante animador, pois Pedrinho de certa forma está inserido neste mercado novo para ele até então. Está em uma banda ‘séria’, conseguiu se adaptar sem grandes dificuldades e ainda pode contar com uma renda que, se ainda não pode ser considerada estável, pelo menos vai fornecer algum suporte, até que Pedrinho encontre outros horizontes de atuação na música.

Vida de músico (6) - Mão na massa...

‘Um fato é inegável; o ambiente universitário proporciona muitas possibilidades de trabalho. Eis que nosso amigo Pedrinho do Violino, numa dessas conversas de corredor, soube que um amigo estava com intenção de incorporar um violinista à sua banda de bailes!’

Trata-se de uma ‘gig’ bastante profissional, com shows agendados quase todos os finais de semana em eventos que incluíam formaturas, casamentos e bar-mitzvás¹ por exemplo. Entre os compromissos estavam os ensaios, dois por semana em estúdios que cobravam por hora. Pedrinho ainda não conseguia ordenar os fatos em sua cabeça; quanto será que eles pagam aos músicos? Quem paga o estúdio? Será que minhas roupas servirão para esse trabalho?
Não há outra maneira de saber estes detalhes senão conversar, negociar com o responsável pela banda e avaliar a situação. Uma banda profissional como esta, costuma fazer de quatro a oito eventos por mês em média. Claro que devemos levar em consideração que podem ocorrer meses com pouca atividade e outros muito movimentados, como no caso de haver muitos feriados por exemplo. No caso do Pedrinho, ele não sabe e provavelmente nunca saberá quanto o produtor/empresário da banda cobra para fazer um evento de médio ou grande porte, mas ele já foi informado de antemão que seu cachê será sempre entre trezentos e quatrocentos e cinqüenta reais por show, fato que o deixou bastante animado. Ele não terá despesas com a banda além de seu transporte para os ensaios. Estes serão pagos pela própria banda, que sempre separa uma margem dos cachês como reserva para cobrir as despesas mensais de estúdio.
Cabe ao produtor da banda interpelar o aspirante à vaga em sua banda em questões como, disponibilidade de tempo para ensaio, viagens, seu equipamento etc. Os trajes para os eventos geralmente são esporte-fino ou mesmo terno e gravata. Quando for algum tipo de festa temática como reveillon, bailes à fantasia por exemplo, obviamente serão preparados figurinos para a ocasião.
Se Pedrinho já estava pensando em ‘turbinar’ seu instrumento para poder amplificar seu som, agora é a hora.
Os trabalhos começam logo, mas longe dos palcos. Pedrinho recebe uma lista com as músicas que compõem o repertório da banda, mais de cinqüenta! Seu primeiro trabalho será obter as gravações delas rapidamente e ‘tirar’ suas partes de violino o mais próximo possível do original. Seria melhor decorá-las para que não fique dependente de leitura de partituras. Nos palcos das bandas de festas, as estantes atrapalham e não ajudam muito na composição visual, melhor se não precisar delas.
Pedrinho terá que lançar mão de um recurso polêmico, porém muito praticado em todo mundo; ‘baixar’ as músicas pela internet. Muito se discute sobre a legalidade deste procedimento, mas o fato é que este é apenas mais um aspecto da revolução que a internet ainda exerce no mundo atual. Toda a classe artística está revendo seus conceitos para se adaptar a essa realidade, já que as tentativas de conter este movimento se mostraram infrutíferas. Mais adiante voltaremos a esse assunto.
Voltando ao caso do Pedrinho, ele já tem alguma intimidade com essa prática de compartilhamento de arquivos digitais. Sua tarefa agora será acessar seus programas e ‘sites’ que possibilitam fazer ‘download’ de arquivos em mp3. Alguns deles são o E-mule, U-Torrent e o ‘site’ 4-Shared. Com se trata de mais de cinqüenta músicas, ele terá que utilizar mais de um recurso simultaneamente, pois algumas músicas são mais difíceis de encontrar do que outras. Na medida em que vai arquivando músicas em mp3 no seu computador, já pode começar a ‘dissecar’ uma de cada vez, ensaiando sozinho em seu quarto suas partes de violino. Às vezes ele se deparava com peças bastante complicadas, com execução peculiar ou solos muito rápidos. Sente necessidade de mais informações sobre o artista em questão. Foi então que ele se lembrou de uma ferramenta muito utilizada em todo mundo, um achado no mundo virtual, o Youtube! Quantas horas ele passou sentado em seu quarto assistindo aqueles milhares de vídeos apenas por entretenimento ou observando orquestras sinfônicas ao redor do mundo executando lindamente aquelas obras eternas!
Já que é possível encontrar quase tudo no Youtube, por que não procurar demonstrações de violinistas famosos ou anônimos executando aquelas peças que ele precisa aprender rápido? Bastou digitar no topo da página os títulos das músicas ou os artistas e pronto; instantaneamente aparecem dezenas de vídeos relacionados. Agora Pedrinho pode mesclar sua interpretação com algumas idéias interessantes que ele observou pelos vídeos, otimizando seu trabalho.
Na semana seguinte acontecerá seu primeiro ensaio com a banda e Pedrinho ficou encarregado de chegar com vinte e duas músicas ‘embaixo dos dedos’, algumas com solos de violino, outras apenas com frases discretas.
Chegou o dia! Pedrinho está no estúdio com toda a banda reunida, falatório, cabos espalhados, ruídos de toda espécie enquanto se afinam instrumentos, regulagens de microfones dos cantores...
Hora de ‘passar’ o som do violino, sorte que Pedrinho chegou com tudo em cima, captador instalado no instrumento, cordas novas etc. Do outro lado do vidro o operador quer saber o que Pedrinho precisa; volume, retorno, reverb², agudo. Pedrinho não consegue pensar em uma resposta específica, sente que está bom e pronto. Começa a primeira música e ele nota com espanto a massa sonora furiosa, todos tocando com força em um ambiente minúsculo. Ele está seguro para executar suas partes, mas o momento do seu solo chega e passa, de forma que ele quase não escutou o que tocou. Durante o ensaio, ele precisou pedir mais volume para o violino, o que acarretou desagradáveis ruídos, a microfonia que tanto irrita os músicos e o ouvinte. Para aprender a domar esse problema, será preciso por parte de Pedrinho e do técnico de som, um maior cuidado com a equalização do instrumento, já que é a primeira vez que a banda trabalha com um violino de verdade; antes o tecladista se encarregava de simular o timbre das cordas. Para isso, se faz necessário um aprofundamento nas características acústicas do instrumento.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Vida de músico (5) - Pesquisa de mercado...

“Pedrinho do violino tem pensado muito na possibilidade de fazer carreira na música popular. Afinal, quem disse que músico foi feito pra viver de roupa preta bem passada executando repertório de cem, duzentos anos atrás? É fato que seu instrumento não se enquadra facilmente no contexto da música pop; guitarras, contra-baixos elétricos, baterias, teclados modernosos. Mas há a chance de se inserir no meio se ele for criativo, arrojado e apresentar uma postura diferenciada. “

Pedrinho se mantém antenado na medida do possível, com seus 21 anos de idade não pôde passar incólume à influência das redes de televisão voltadas à música pop e seus vídeo-clipes mirabolantes. Foi numa delas que ele se deparou com vídeos de bandas como The Verve, The Corrs, The Black Eyed Peas, Aerosmith e notou que tais bandas conseguiam utilizar o violino, ou cordas em geral, em suas composições destinadas ao grande mercado pop. Isso sem contar no sem número de artistas que exploram timbres de cordas com seus teclados cada vez mais modernos, mas isso outro assunto.
A primeira impressão que surge é a de que seu instrumento na mão desses artistas se mostra substancialmente reformulado. Nas mãos do Pedrinho, seu instrumento ainda se apresenta da mesma maneira que a pelo menos três séculos. Os artistas do grande show-bizz integram um grande espetáculo com seus violinos elétricos super amplificados, luzes, figurinos, coreografias e tudo mais.
Claro que não vamos esquecer que nosso personagem não vive o mundo de sonhos da MTV, é um jovem músico inexperiente nos palcos, tentando a vida nos confins da América do Sul. Ele terá que se situar entre o mundo empoeirado dos grandes compositores clássicos do passado e o eletrizante circo da música pop do século XXI. Aqui no Brasil, já é notório o uso do violino em trabalhos de música religiosa (gospel), sertaneja, MPB e até algumas bandas de rock, no embalo do formato de shows acústicos (unplugged).
É preciso levar em consideração as oportunidades, ainda não se encontram violinistas bons e disponíveis para estes segmentos em qualquer esquina. Sendo assim, por que não tentar esse caminho?
Um bom ponto de partida para começar a rever sua condição seria provavelmente procurar meios de obter o melhor e mais fiel som com seu instrumento, o que certamente envolverá investimento de sua parte. Como se familiarizar de forma ágil e econômica a essa nova configuração de performance no violino? Trabalhar em palcos e estúdios com instrumento amplificado envolve muitos aspectos que contribuem para a qualidade final, partes elétricas, construção, captação, mixagem do canal do instrumento com o restante da banda, o nível do operador se som, etc.
Atualmente no mercado, é possível adquirir violinos elétricos pela faixa de R$500,00. São instrumentos sem caixa de ressonância, com equalizadores embutidos, saídas para headphones entre outros recursos. Mas se o músico for purista o bastante para insistir em manter as características mais próximas possível do padrão clássico, poderá adaptar um bom captador ‘piezo-cerâmico’ em seu instrumento que será plugado diretamente em um amplificador ou mesa de som.
Ao optar por esses caminhos, o músico inevitavelmente precisará coletar informações técnicas que nunca antes se fizeram importantes em seu ambiente musical, até porque na universidade ele não foi iniciado nessas questões. Nesse contexto de atuação em música popular, o artista terá que obter noções de, por exemplo, como se fazer ouvir um pequeno violino em um palco movimentado? Como se ouvir em meio a tantos instrumentos amplificados? Como obter um som fiel do seu instrumento uma vez que ele foi captado por um pequeno microfone ou um cabo, processado por amplificadores, efeitos e ‘jogado’ nas potentes caixas do P.A. , de onde sai toda a massa sonora de uma vez?
Sabemos que, salvo honrosas exceções, o cenário musical que aguarda um iniciante pode apresentar uma precariedade estrutural que, se por uma lado traz algum desânimo e desapontamento, também contribui para o desenvolvimento do lado improvisador do indivíduo, já que ele, em muitos momentos, terá que ‘tirar leite de pedra’ para tocar seus projetos.
Sendo assim, não há outra maneira de adquirir experiência a não ser experimentando.