quarta-feira, 6 de julho de 2011

Mão na massa....(cont.)

O violino é um instrumento que apresenta uma vasta gama de freqüências. Sua nota fundamental mais grave (Sol 2) apresenta uma freqüência de 196 Hz e nas altas pode chegar até a 3000 Hz (Fá#6).
Uma corda tocada fortemente por uma arco pode produzir vinte ou mais harmônicos. A utilização do arco como ferramenta timbrística é fundamental na arte tocar o violino. A força, velocidade e ponto de atrito interferem na qualidade sonora. O instrumento de Pedrinho está equipado com um captador, que nada mais é do que um transdutor sensível à vibração do instrumento, diferente dos microfones, que captam as vibrações de ondas conduzidas pelo ar.
No caso de Pedrinho, seu captador é do tipo piezo-elétrico. Este equipamento utiliza-se de cristais (quartzo, titanato de bário ou titanato de chumbo) que submetidos à tração, vibração ou compressão, gera uma diferença de tensão elétrica entre suas extremidades. A esse fenômeno dá-se o nome de efeito piezo-elétrico. Estes captadores se dividem em ativos e passivos. As características dos captadores se assemelham às dos microfones, no que se refere a respostas em freqüências, ruídos e tipos de alimentação.
O fato é que o músico no ambiente de ensaio, show ou gravação, geralmente terá uma preocupação básica; fazer com que seu instrumento soe amplificado o mais próximo possível de seu timbre ‘natural’. No caso peculiar de um violino, devemos ter em mente que será uma tarefa não muito simples. Tocando em grupo, envolvido por intensa massa sonora, o músico pode, por força da circunstância, afetar até mesmo sua maneira de interpretar, alterando seu ataque às cordas, por exemplo, na ânsia de se ouvir melhor. Por isso torna-se vital o conhecimento técnico das características timbrísticas de seu instrumento, pois a solução para essa situação pode estar no simples ajuste de determinadas freqüências do espectro de atuação do violino. Outro detalhe que sempre deverá ser levado em conta é o ambiente em questão. O tratamento sonoro de um estúdio é muito diferente de salão de um clube por exemplo. Certos procedimentos aplicados ao estúdio terão que ser reavaliados em caso de show ao vivo.
Pedrinho do violino tem a vantagem de trabalhar com captador ao invés de microfone; além de ser mais simples o ajuste de som, possibilita maior mobilidade ao músico no palco. Quanto ao timbre do violino no estúdio de ensaio, com o tempo músico e técnico foram chegando a um resultado satisfatório na equalização. Uma vez encontrados os parâmetros de freqüências, nos ensaios subseqüentes bastarão pequenos ajustes para chegar ao resultado adequado.
Algumas semanas depois, dia de show! Pedrinho já está com o repertório em dia, set-list³ impresso para colocar à sua frente no palco, em posição discreta só para se guiar nas seqüências das músicas, roteiro do show combinado, tudo em ordem, apesar do nervosismo. Chaga ao local do evento ainda durante a tarde para passagem de som, o show será à noite. Na passagem de som, a primeira impressão é incômoda, pois todo o trabalho de ajustes realizados em estúdio aparentemente teriam que ser refeitos, em questão de minutos e com todo o tumulto que envolve a produção de um evento dessa ordem, com montagem de equipamento, decoração, buffet, tudo ao mesmo tempo em um imenso salão de um clube. Além disso, o músico terá que se localizar no palco, interagir de forma prática e direta com o operador de som para encontrar o melhor som do instrumento, se posicionar em frente ao seu monitor, que será a sua fonte sonora confiável durante a apresentação. Em seguida, a banda inteira fará um breve ensaio para ajustes finais, se recolherá aos bastidores e começarão a se preparar para entrar em cena mais tarde. Hora de conferir figurinos, afinações dos instrumentos, alimentação etc.
Hora do show! Difícil conter o nervosismo, misturado à ansiedade. Aos primeiros acordes da banda, luzes explodindo por todos os lados, platéia cheia, animadíssima, Pedrinho experimenta as sensações inéditas de participar de um show bem produzido; o nervosismo inicial começa a dar espaço ao prazer de perceber toda a estrutura funcionando a contento. Alguns momentos tensos são normais como um pedido aflito de retorno por parte de algum membro da banda, uma sobra de freqüência grave rapidamente detectada e eliminada pelo técnico, algum erro quase imperceptível em algumas músicas etc. O saldo final é bastante animador, pois Pedrinho de certa forma está inserido neste mercado novo para ele até então. Está em uma banda ‘séria’, conseguiu se adaptar sem grandes dificuldades e ainda pode contar com uma renda que, se ainda não pode ser considerada estável, pelo menos vai fornecer algum suporte, até que Pedrinho encontre outros horizontes de atuação na música.

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