“Pedrinho do violino tem pensado muito na possibilidade de fazer carreira na música popular. Afinal, quem disse que músico foi feito pra viver de roupa preta bem passada executando repertório de cem, duzentos anos atrás? É fato que seu instrumento não se enquadra facilmente no contexto da música pop; guitarras, contra-baixos elétricos, baterias, teclados modernosos. Mas há a chance de se inserir no meio se ele for criativo, arrojado e apresentar uma postura diferenciada. “
Pedrinho se mantém antenado na medida do possível, com seus 21 anos de idade não pôde passar incólume à influência das redes de televisão voltadas à música pop e seus vídeo-clipes mirabolantes. Foi numa delas que ele se deparou com vídeos de bandas como The Verve, The Corrs, The Black Eyed Peas, Aerosmith e notou que tais bandas conseguiam utilizar o violino, ou cordas em geral, em suas composições destinadas ao grande mercado pop. Isso sem contar no sem número de artistas que exploram timbres de cordas com seus teclados cada vez mais modernos, mas isso outro assunto.
A primeira impressão que surge é a de que seu instrumento na mão desses artistas se mostra substancialmente reformulado. Nas mãos do Pedrinho, seu instrumento ainda se apresenta da mesma maneira que a pelo menos três séculos. Os artistas do grande show-bizz integram um grande espetáculo com seus violinos elétricos super amplificados, luzes, figurinos, coreografias e tudo mais.
Claro que não vamos esquecer que nosso personagem não vive o mundo de sonhos da MTV, é um jovem músico inexperiente nos palcos, tentando a vida nos confins da América do Sul. Ele terá que se situar entre o mundo empoeirado dos grandes compositores clássicos do passado e o eletrizante circo da música pop do século XXI. Aqui no Brasil, já é notório o uso do violino em trabalhos de música religiosa (gospel), sertaneja, MPB e até algumas bandas de rock, no embalo do formato de shows acústicos (unplugged).
É preciso levar em consideração as oportunidades, ainda não se encontram violinistas bons e disponíveis para estes segmentos em qualquer esquina. Sendo assim, por que não tentar esse caminho?
Um bom ponto de partida para começar a rever sua condição seria provavelmente procurar meios de obter o melhor e mais fiel som com seu instrumento, o que certamente envolverá investimento de sua parte. Como se familiarizar de forma ágil e econômica a essa nova configuração de performance no violino? Trabalhar em palcos e estúdios com instrumento amplificado envolve muitos aspectos que contribuem para a qualidade final, partes elétricas, construção, captação, mixagem do canal do instrumento com o restante da banda, o nível do operador se som, etc.
Atualmente no mercado, é possível adquirir violinos elétricos pela faixa de R$500,00. São instrumentos sem caixa de ressonância, com equalizadores embutidos, saídas para headphones entre outros recursos. Mas se o músico for purista o bastante para insistir em manter as características mais próximas possível do padrão clássico, poderá adaptar um bom captador ‘piezo-cerâmico’ em seu instrumento que será plugado diretamente em um amplificador ou mesa de som.
Ao optar por esses caminhos, o músico inevitavelmente precisará coletar informações técnicas que nunca antes se fizeram importantes em seu ambiente musical, até porque na universidade ele não foi iniciado nessas questões. Nesse contexto de atuação em música popular, o artista terá que obter noções de, por exemplo, como se fazer ouvir um pequeno violino em um palco movimentado? Como se ouvir em meio a tantos instrumentos amplificados? Como obter um som fiel do seu instrumento uma vez que ele foi captado por um pequeno microfone ou um cabo, processado por amplificadores, efeitos e ‘jogado’ nas potentes caixas do P.A. , de onde sai toda a massa sonora de uma vez?
Sabemos que, salvo honrosas exceções, o cenário musical que aguarda um iniciante pode apresentar uma precariedade estrutural que, se por uma lado traz algum desânimo e desapontamento, também contribui para o desenvolvimento do lado improvisador do indivíduo, já que ele, em muitos momentos, terá que ‘tirar leite de pedra’ para tocar seus projetos.
Sendo assim, não há outra maneira de adquirir experiência a não ser experimentando.
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